Duas contadoras criam tecnologia para o mercado cripto
A presença crescente de criptoativos no patrimônio de pessoas e empresas trouxe um novo desafio para a contabilidade brasileira. Bitcoin, stablecoins, corretoras internacionais e carteiras digitais já fazem parte da realidade de muitos investidores, mas boa parte dos escritórios ainda tem dificuldade para lidar com essas informações.
Foi nesse cenário que as contadoras Ana Paula Rabello e Helen Gomes criaram o Núcleo CriptoCalc, solução que combina conhecimento contábil, tecnologia e inteligência artificial para facilitar o trabalho com criptoativos.
Quem são as fundadoras
Com mais de 30 anos de carreira, Ana Paula atuou na contabilidade e na perícia antes de se dedicar exclusivamente à tributação de criptoativos. À frente do Declarando Bitcoin, atende grandes investidores do setor e ficou conhecida nas redes como a Contadora das Baleias do Bitcoin. Helen tem duas décadas de experiência em contabilidade empresarial, com foco em gestão, auditoria, planejamento tributário e governança. As duas se conheceram em 2023, em uma formação conduzida por Ana, e se tornaram sócias em 2025.
Da operação interna para o mercado
O Declarando Bitcoin já usava tecnologias próprias para acompanhar investidores com muitas movimentações em diferentes plataformas. O desafio era levar esse conhecimento para outros contadores, já que os procedimentos dependiam de muita especialização. A inteligência artificial tornou possível traduzir essa experiência em funcionalidades acessíveis, sem substituir o conhecimento técnico das fundadoras.
Como funciona a ferramenta
A premissa da solução é que cripto não é apenas uma lista de transações, mas uma história patrimonial que precisa fechar. A ferramenta reúne conciliação, conferência cruzada, rastreabilidade, identificação de pendências e análise de movimentações, ajudando o contador a investigar inconsistências e organizar as informações. A proposta é apoiar o profissional, e não substituí-lo.
Próximos passos
O sistema já é usado internamente e deve ser disponibilizado a contadores de outros escritórios no início de 2027, acompanhado de uma proposta de formação profissional. Para as fundadoras, assim como nenhum escritório trabalha hoje sem sistema de contabilidade, a contabilidade do futuro precisará de ferramentas específicas para criptoativos.
O caso mostra como a tecnologia e a especialização podem abrir novas frentes de serviço para a contabilidade, um movimento que vale acompanhar de perto.
Conteúdo adaptado pela equipe ServiHaus.